eu não lembro como foi que a poesia entrou na minha vida. eu não lembro como foi que ela me olhou nos olhos e me levou. eu sempre conto a história de um poço que ficava no quintal da minha casa e que ali eu escrevi a palavra poesia de forma tímida com farelos de tijolo. aí eu falo de uma professora que quando leu meu primeiro poema e me disse que aquilo não era poesia e me deu um livro do mario quintana pra ler e aprender como se faz. anos depois eu descobri: a professora estava certa sobre quintana, sobre todo o resto estava errada. eu gosto de começar cada ciclo, cada novo passo dado me perguntando sobre esse meu encontro com a poesia, é como um ritual antes de entrar no palco. a verdade é que eu tenho muitas histórias sobre o meu primeiro encontro com a poesia, o motivo de vivê-lo que sempre foi o mesmo. eu gosto de contar histórias com aventuras poéticas, coisas sobre as quais ninguém nota por aí. alguém já pensou coisa como: qual o tipo sanguíneo da poesia? qual flor que ela se perfuma? qual mar que ela beijou na boca? eu tenho devoção por essas bobagens que enfeitam os corações, os versos contemplam esses abraços, abraços que chamo de desamarras de escrita. a poesia quer novos olhares, metáforas, histórias, personagens e tudo o que um abraço proporcionar. é preciso falar de poesia, é preciso sobretudo viver de poesia para aquecer os dias frios, arrumar os corações destroçados pela confusão dos dias.