é difícil sentir dor
dentro do ônibus lotado
onde não cabe a dor
nem as unhas ruídas
redondinhas para o sofrimento
desço na parada de sempre
há tanta vida a ser contada
de todas as vezes que desci
na mesma parada
subo até o 16º andar do prédio
ponho a chave abro a porta
a solidão me bate na cara
flores murchas
apodrecem pétalas
dentro de um vaso de água imunda
é a inundação
há dias não paro
uso o mesmo sapato
e brinco de passar o tempo
subindo no ônibus lotado
onde não cabe a dor.
Pedro Stkls