bate~papo poesia

vou ter a alegria de conversar com a minha amiga e poeta cláudia almeida sobre um assunto que muito nos alegra: poesia. esperamos por todos vocês na próxima sexta lá no meu instagram.

amigo

Para o Davison

as vezes falta essa parte no abraço que quer dizer sol
a casa onde moram as coisas mais bonitas do mundo
as vezes falta a parte que repita que temos a coragem de ser quem somos
que atravessar o mar é preciso e que há uma mão pronta para segurar na travessia
as vezes nos falta a explicação da teoria sobre as lágrimas que não sabemos guardar
então é aí que surge aquele depósito de lágrimas que nos diz:
“chorar é um rio que seguimos…”
e seguimos na certeza que chorar não nos tira nada
só completa conecta e ajusta o que da vida anda quase oco seco sem esperança de chuva
é assim que se formam as amizades os amores que não se apagam
muito maior que o universo e suas camadas de luzes
é a chance de eu saber que sempre que eu bater na tua porta
tua amizade é que me deixará entrar.

Pedro Stkls

exposição – floresta fluorescente

Entre Folhas e Neón – Folhas em preto e branco cercadas pelo rosa intenso.
Ciclos Sobrepostos – Destaca o encontro de diferentes camadas da natureza e da percepção, quase como um estudo da floresta em movimento e transformação.

Pedro Stkls

Pulso da Vida – Transmite a ideia de energia vital da floresta, como se estivesse irradiando luz própria.
Círculo Vital – A trepadeira em preto e branco dentro do círculo turquesa.

num domingo inesperado, daqueles que costumam carregar um certo silêncio solitário, fui surpreendido pela alegria de acompanhar o trabalho incrível que meu querido amigo Renildo Sá está iniciando. ele me enviou algumas peças dessa exposição que, por enquanto, acontece de forma virtual, alcançando apenas os amigos mais próximos. fiquei imensamente feliz em presenciar esse nascimento na arte contemporânea — há ali um toque de pop art, uma força bonita que explode em cada detalhe. espero que vocês também sintam essa energia tanto quanto eu.

a natureza em desequilíbrio

meu coração é uma palavra
que se criou na palavra rio
quando pensei que não tinha
quando imaginei outro tempo
que não era poesia em seu modo
eu queria empurrar com a barriga
uma coisa rasa e silenciosa
não parecia em nada com a aventura
que é atravessar o rio de canoa
sabe quando a gente põe
as antenas de uma formiga
sobre as costelas de um besouro
ou quando sobre o exoesqueleto
plantamos uma flor cambará?
parece com o desequilíbrio
me dei conta o que era
quando vovô voltou da pescaria.

o jardim dos pêssegos

escrevo de uma terra mágica
e de um céu tremendamente vermelho
onde a cidade parece dormir nos braços
dos seus habitantes e o mar
o mar é aquele mesmo filho da mãe
de azul e língua de sal
 
escrevo com as mãos cheias de saudade
os olhos cheios de imagens
quando fecho os olhos eu posso ver
uma garotinha e seu balão amarelo
de repente o balão escapuliu
e no céu o balão figurava o sol
e eu pensei que aquele sol
podia iluminar a tua cabeça
que poderia estar pensando
em um estradinha de chão
que nos levasse para o outro mundo
 
na parte sul da cidade
tem uma lojinha de gatos
e acho que o teu gato
o senhor dos bigodes
poderia me odiar mas
eu comprei umas botinhas pra ele
e sabe ele poderia agora ser
o senhor dos bigodes de botas
 
o clima aqui é ameno
meu peito é quente
e eu acendo a lareira
quando a friagem da noite
deixa o piso como se eu
tivesse derramado um pouco de vinho
talvez porque eu pensei
tanto sobre os dias no café début
que misturei muitos líquidos
minhas águas meus goles de vinho
minhas tintas de canetas
 
aqui o dia tem uma duração
como a duração das estrelas
na verdade como o piscar das estrelas
tudo é um piscar e quando se vê
tudo mudou como aquele livro
sobre as viagens marinhas
do Pierre San que eu guardo
a sete chaves porque você
roubou da biblioteca de idaho
apenas para o meu consolo
eu descobri que naquele livro
tem uma passagem secreta
para um lugar que eu não ouso
te dizer porque eu quero que você
descubra e sinta o que senti
 
agora está fazendo um pouco de noite
e eu fico pensando que eu queria
tomar aquele café que vem com gosto de maresia
eu queria que você pudesse ver
o que vejo agora
uma passagem secreta
onde o amor não vence
os que se apaixonam de poesia.

Pedro Stkls