O MEU AMIGO BATISTA
as vezes parece que falta sorriso
entre os dentre cercados do batista
essa parte parece fugir como um gato
o batista disse que precisa ser amigo
dos que não são seus amigos
na rua em que mora
mas isso quer dizer apenas uma coisa
que o batista precisa sobreviver
pagar o preço de ser confundido
pagar o preço de ser parado
pagar o preço que o freguês
da vida escancarada a carne quente
tem que pagar pra não virar
mais uma estrela que sonha
mais um pedaço que a mãe perde
o meu amigo batista
sabe que o corre da vida é o sonho
que as marcas que o asfalto desenha
não lhe dizem nada
além de que a vida é sempre um nascer agora.
O NOVO MUNDO
as estrelas que moram na cabeça do batista
são de um espécie intergaláctica
nunca vista por nenhum astronauta
ou um estudioso da nasa
que tenha se dado conta que talvez
as respostas do outro mundo
estejam ali presas em pequenas cápsulas
sondas e telescópios nunca mandados
para uma missão terrestre
algumas estrelas morreram
sem completarem a maior idade
algumas não sabem seus nomes
quando escritos em uma folha
algumas estrelas poderiam
acender o sol pois amanhecem antes
mesmo que ele abra sua primeira janela
algumas conhecem a palavra alimento
e seguem de barriga vazia
as estrelas que moram sobre a cabeça do batista
são desconhecidas porque ainda se desconhece
o que realmente importa quando
nos referimos as estrelas.
O CHORO DO BATISTA
as lágrimas que já atravessaram o rio que o batista desagua são de uma constelação que ninguém nunca conseguiu avistar, como uma descoberta de um novo continente, como num acidente ou como um pedaço de sol que entra pela janela e toca o corpo do assoalho. as lágrimas que o batista derrama não significam que há dor, que há medo, que há corre todo dia pra sobreviver ou que na rua sem asfalto passam mil vidas quase sem esperança, quase sem olharem pro céu azul, quase perdidas vidas debruçadas sobre um naufrágio que parece não ter fim. o batista como na canção de exu guarda um amor que o assusta, coisa de amor que mexe no fundo do seu oceano, que atiça o seu carpo baleado pelas coisas que o amor inunda. as lágrimas que o batista deixa correr devem lembrá-lo que um dia ele tentou correr atrás do arco-íris, mas isso foi há muito tempo atrás ou poderia ser agora.