três poemas para o batista

O MEU AMIGO BATISTA

as vezes parece que falta sorriso
entre os dentre cercados do batista
essa parte parece fugir como um gato
o batista disse que precisa ser amigo
dos que não são seus amigos
na rua em que mora
mas isso quer dizer apenas uma coisa
que o batista precisa sobreviver
pagar o preço de ser confundido
pagar o preço de ser parado
pagar o preço que o freguês
da vida escancarada a carne quente
tem que pagar pra não virar
mais uma estrela que sonha
mais um pedaço que a mãe perde
o meu amigo batista
sabe que o corre da vida é o sonho
que as marcas que o asfalto desenha
não lhe dizem nada
além de que a vida é sempre um nascer agora.

O NOVO MUNDO

as estrelas que moram na cabeça do batista
são de um espécie intergaláctica
nunca vista por nenhum astronauta
ou um estudioso da nasa
que tenha se dado conta que talvez
as respostas do outro mundo
estejam ali presas em pequenas cápsulas
sondas e telescópios nunca mandados
para uma missão terrestre
algumas estrelas morreram
sem completarem a maior idade
algumas não sabem seus nomes
quando escritos em uma folha
algumas estrelas poderiam
acender o sol pois amanhecem antes
mesmo que ele abra sua primeira janela
algumas conhecem a palavra alimento
e seguem de barriga vazia
as estrelas que moram sobre a cabeça do batista
são desconhecidas porque ainda se desconhece
o que realmente importa quando
nos referimos as estrelas.

O CHORO DO BATISTA

as lágrimas que já atravessaram o rio que o batista desagua são de uma constelação que ninguém nunca conseguiu avistar, como uma descoberta de um novo continente, como num acidente ou como um pedaço de sol que entra pela janela e toca o corpo do assoalho. as lágrimas que o batista derrama não significam que há dor, que há medo, que há corre todo dia pra sobreviver ou que na rua sem asfalto passam mil vidas quase sem esperança, quase sem olharem pro céu azul, quase perdidas vidas debruçadas sobre um naufrágio que parece não ter fim. o batista como na canção de exu guarda um amor que o assusta, coisa de amor que mexe no fundo do seu oceano, que atiça o seu carpo baleado pelas coisas que o amor inunda. as lágrimas que o batista deixa correr devem lembrá-lo que um dia ele tentou correr atrás do arco-íris, mas isso foi há muito tempo atrás ou poderia ser agora.

poetas azuis – tjap

– o tribunal de justiça do amapá – tjap convidou os poetas azuis para um sarauzinho com um grupo de mulheres de um de seus programas mais bonitos. o convite foi aceito com todo carinho e logo mais vamos distribuir poemas e abraços.

um poema pra uma obra de sílvia marília

um dia desses escrevi um poema da minha série poética “caixa de abelha” pra querida artista plástica sílvia marília, que é uma das maiores representantes da arte ilustrativa do nosso amapá. o poema possa ser que não esteja a altura da obra mas tem afeto e festa em seu corpo.

A FESTA DA POESIA

Obra “Selvagem” de Sílvia Marília

tem horas que dançar poesia
é como um disfarce para arrumar
o acúmulo de silêncio que brota
no meio de uma quarta-feira
que feito água parada cansa
é a sinfonia da poesia
o rock and roll que se quer
uma palavra nova a se descobrir
afastar os móveis da sala
abrir a janela e convidar
todos os voadores que beijam o céu
pássaros abelhas aviões foguetes
todo mundo na mesma dança
mandando o vazio ir embora
abrindo brechas e fendas no corpo
pra guardar a sensação
inexplicável de sentir
quando a poesia nos atravessa.

bate~papo poesia

vou ter a alegria de conversar com a minha amiga e poeta cláudia almeida sobre um assunto que muito nos alegra: poesia. esperamos por todos vocês na próxima sexta lá no meu instagram.

amigo

Para o Davison

as vezes falta essa parte no abraço que quer dizer sol
a casa onde moram as coisas mais bonitas do mundo
as vezes falta a parte que repita que temos a coragem de ser quem somos
que atravessar o mar é preciso e que há uma mão pronta para segurar na travessia
as vezes nos falta a explicação da teoria sobre as lágrimas que não sabemos guardar
então é aí que surge aquele depósito de lágrimas que nos diz:
“chorar é um rio que seguimos…”
e seguimos na certeza que chorar não nos tira nada
só completa conecta e ajusta o que da vida anda quase oco seco sem esperança de chuva
é assim que se formam as amizades os amores que não se apagam
muito maior que o universo e suas camadas de luzes
é a chance de eu saber que sempre que eu bater na tua porta
tua amizade é que me deixará entrar.

Pedro Stkls